Amuletos e muleta. Coitadinho do coelho

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Durante muito tempo eu vi nas chaves dos ônibus que circulavam em Vila Velha, aqui no Espírito Santo, vários pés de coelho. Era quase que obrigatório. Não sei se eram todos necessariamente verdadeiros – penso que alguns eram apenas imitações, pés de coelho artificiais – sei que era um padrão daqui da minha cidade, os ônibus terem em suas chaves este tipo de amuleto.

Diziam que aquilo daria sorte. Sorte pra quem?

Eu, apenas uma criança, simplesmente achava terrível saber que os motoristas andavam com amuletos e os coelhos com muletas. Coitadinho do coelho. Afinal, como poderia o pé desse bicho trazer sorte para todos, menos pra ele que tinham 4 amuletos da sorte? Talvez, o problema estaria em um número par. Ou, sei lá…

A sorte é lançada no colo, mas a decisão vem do Senhor.
Provérbios 16:33

De que adiante um amuleto de sorte? Ora, pra nada! De nada valem flores e velas, de nada valem rezas e simpatias. De nada valem. A sorte é o acaso, é sorte pra uns, azar para outros. Não dá para medir a sorte e nem dá pra saber o quanto esta sorte é de fato, uma grande sorte.

Tive um colega que certa vez, me chamou para conversar dizendo que havia tido uma grande sorte. Ele me disse que um amigo dele, um rapaz com bastante condição financeira, havia proposto uma espécie de sociedade. Esta sociedade seria de interesses. Como este meu colega tinha apresso por cozinhar, foi lhe proposto um abrir um negócio, uma padaria, onde ele trabalharia como padeiro confeiteiro e a outra parte faria todo o investimento necessário para viabilizar o projeto.

Nas palavras deste meu colega, ele teve muita sorte. Ele chegou a me dizer, exatamente com estas palavras: “Que sorte! Isso é coisa de Deus!”

Essa sociedade deu certo? Claro que não!

Pouco tempo se passa e este meu colega, que havia pedido conta do trabalho anterior, me encontra com todos os tipos possíveis de reclamações. Desde o local do empreendimento até o modo de agir do sócio. Tudo estava ruim. A sorte virou azar, a bênção passou por maldição.

Depois de o crucificarem, dividiram as roupas dele, tirando sortes.
Mateus 27:35

Sorte, amuletos… Bom mesmo é não os ter.

Assim como o coelho que, em meu imaginário, precisaria de uma muleta para poder dar conta de seus passos após terem arrancado uma ou todas as suas patas, os amuletos também servem de muletas para quem quer caminhar de mãos dadas com a sorte. Essas muletas são apêndices fictícios da incompetência, da falta de esforço e, até mesmo, da falta de uma verdadeira fé.

Quando se trata de fé então tratamos de um assunto delicado, afinal para muitos, a própria fé se trata de um amuleto ou, de uma muleta para se apoiar em um deus qualquer e, fugir das obrigações que são definitivamente humanas. Sem entrar neste mérito, pois apologética não é o objetivo destas linhas, penso que quando a fé é usada para fins pessoais de fato, ela é um grande amuleto. Amuleto da sorte.

Agora, pare para pensar comigo onde é que a fé se torna um amuleto em nossa vida. Vamos analisar aquilo que chamamos de fé.

Quando, ou, em que situação você “usa a sua fé”?

Pensou?

Pronto, o simples fato de você ter lembrado de quando usou a sua fé mostra que ela é um amuleto para que sua sorte seja mudada. Mas fé não é isso, nós é que entendemos errado. A gente não sabe interpretar corretamente aquilo que nos foi deixado por inspiração Divina nas Escrituras Sagradas.

Baseamo-nos sempre nas montanhas que podem ser removidas mas, não nos apoiamos nos motivos que seriam necessários para que dirigíssemos a palavra a um monte fazendo com que ele alterasse seu local de descanso. Se pensamos na fé como um amuleto, ou como uma arma secreta para superpoderes, não sabemos nada sobre fé.

Por muito tempo objetos foram colocados nas paredes e nos templos para que de forma visual, pudéssemos ter mais fé. A reforma fez a percepção desses objetos mudar e, penso que ela caminhou bem por uns 460 anos. Mas, o protestantismo tornou-se supersticioso.

Vemos rosas, sal, água… Até mesmo a bíblia aberta em certo Salmo. Tudo para “afastar maus espíritos”. Ora, qual a diferença entre um amuleto para afastar maus espíritos e uma pimenteira para afastar mau olhado. Claro que nenhuma. Tudo isso faz parte de uma mesma idéia precária sobre um tipo de fé que não é, e nem nunca será a que nos é ensinada na Bíblia.

Lemos nas escrituras que, sem fé é impossível agradar a Deus (Hb 11.6), quando tratamos a fé como algo esporádico, estamos indo contra a maneira mais adequada de nos aproximarmos de Deus. De fato – e falo pelo ponto de vista protestante – deixamos para ter fé quando oramos por algo ou quando estamos no culto.

Fé é adoração. Devemos ter fé o tempo todo. Temos que ter fé mesmo se não acontecer nada, afinal, a fé é uma ação de adoração ao Senhor. É algo para ser vivido e não usado. Se temos fé em Jesus Cristo, devemos ter fé o tempo inteiro, e não lançar mão em momentos específicos.

Minha oração é para que você tenha fé em Jesus é só nEle. E, que você saiba que Cristo não é um amuleto, Ele é Deus.

 

Por Cyssu…

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